Quando eu não tiver mais nada a fazer
Quando eu cansar de tudo enfim...
Vou sair pelo mundo 
Vou procurar bem no fundo
Pra ver se te acho em mim...
Talvez nesta busca infinita
Eu esbarre em cada ferida
E perca um pedaço até...
E então eu caminhe cegamente
Buscando um pouquinho da gente,
Em cada momento de fé.
Pode ser que daí eu entenda
Que a dor do outro é doída,
E então, curada a ferida, 
Pode ser que então eu aprenda.
E cole os mesmos pedaços
Que cairam dos meus
Nos teus braços,
A minha suave oferenda!


Talvez hoje eu resolva dormir.
Ainda não sei...
Tem pedaços meus espalhados pela casa toda...
Talvez eu ajunte...
ou não.
Porque eu me derramei sem cerimônia
E visceralmente me depositei nos cantos.
Tem pedaço de mim
Caido no chão da sala,
Meio que escondido atrás do sofá.
Talvez por isso eu não possa dormir.
E tenha que sair por ai
Catando meus nacos.
E precise mesmo, 
Antes que o dia raie,
Sair gritando e juntando em sacos...
Mas, tudo bem, 
Ninguem se importa.
Se eu dormir, ou acordar,
Se eu sonhar: nada ecoa.
E só por isso talvez eu durma.
E não acorde.
Deixo-te meu "boa noite"
Misturado aos trapos
Do que restou 
Da minha sina.
Talvez hoje eu resolva dormir.
Talvez sim.
Talvez.






Tem gente que tem essa mania doida
De partir sem dizer Adeus...
Ok, tudo bem, 
Sei que não há muita escolha,
E que alguém tinha que ir 
Preparar a grande festa no céu...
Mas...
Por que tu, lageano?
E quando observo a lágrima
Sinto minha finitude
Sinto nossa fragilidade
E percebo o quão efêmeros somos!
É, lageano...
Fazer o que?
Nossos ingressos já foram reservados...
Nossos lugares, marcados...
Mas já que chegaste na frente,
Faz favor de organizar uma banda,
Porque tenho certeza 
que haverá um baita bailão!


(in memorian de Cláudio Luiz dos Santos)






Perversa...
Sem cerimonia ou pejo
Despe-me de sonhos...
Rasga meus sentidos
Criva em mim seus medos...
E dilacera as amarras
que me protegem...
E me aterroriza
Enquanto me embala...
Me consolando 
Da mais vil das dores...
Ver-te no abraço
de outros tantos braços...
Ouvir teus suspiros...
Redesenhando versos
Enquanto sigo 
a confundir meus passos... 
Cruel.
Nefasta.
Só tua presença infame
que me alimenta a calma.
E teu abjeto nome
Que me instiga
E cala.










Eu ainda não acredito  
que você morreu...
Ando pelas ruas
sem rumo, sem nexo...
E vejo tuas vitrines,
o Sol que se refletia nos teus olhos.
Em casa,
esbarro em tuas gargalhadas...
Adormeço no teu abraço
e sonho com teu beijo.
As mensagens no celular,
os teus emails guardados, 
o vídeo de nossa canção...
Tudo isto está muito vivo!
E tudo é muito recente!
Me recuso a acreditar
que você morreu pro meu coração!










Não foram poucas as vezes que chorei.
Rasguei sonhos
Queimei memórias...
Tola!
Achei que assim 
cicatrizaria a ferida.
Chorei calada,
Do silêncio da noite
ao raiar do dia...
Você não viu.
Você nunca vê.
Hoje chorei de novo.
Chorei de saudade.
Porque é preciso 
Viver a dor 
Na sua plenitude.
Agora,
Junto os cacos.
Colo com lembranças.
Se temperei com lágrimas,
Agora sou etérea,
Rumo simples
E certeira
Direto pra eternidade.







Tenho me perdido ultimamente
a observar o tempo
O tempo que corre,
que voa.
Que imprime lentamente 
com uma paciência infinita
pequenos sulcos 
em minha pele...
Inexorável
Previsível
As vezes até
Abominável.
Sem cerimônia,
Despe a cor de meus cabelos...
Arranca o brilho 
da pele...
Sem pejo,
tatua no espelho
a idade que não sinto.
Insiste em criar em mim
Um Eu que não reconheço!
Mas, 
obra cruel e irônica,
seduz cada um dos meus passos...
Ri-se de mim!
E choro...
E rio...
Porquanto ainda me apaixono
E  brinco como outrora...
Insisto em permanecer criança!
Se te apetece, 
Desculpa!
Flerto com o tempo
Inconsequente
Enquanto nego
O reflexo 
Da máscara frágil,
Cujo brilho  se espalha...
Eternamente...